Delegado Responde: Todas as informações atuais sobre o caso Natália


JORNAL O SANTARRITENSE - Dr. Domingos, inicialmente, em nome do Jornal O Santarritense, gostaria de parabenizar o Sr. e toda sua equipe, escrivães e investigadores, pelo brilhante trabalho de investigação que foi desenvolvido no caso do desaparecimento e morte da jovem manicure Natalia Karina Ferreira Correa. Ficam aqui registrados os nossos sinceros PARABÉNS.

Na semana passada dedicamos uma página onde divulgamos a Operação da Polícia Civil que culminou com a prisão de dois suspeitos, um homem e uma mulher, identificação dos autores, bem como a localização do cadáver de Natalia. Nessa operação, deflagrada dia 14 p.p., o principal suspeito teria conseguido se evadir, seu comparsa foi recolhido à prisão e a mulher capturada, após prestar esclarecimentos, colocada em liberdade após demonstrada sua não participação no delito. A Polícia Civil não parou seu trabalho e, segundo consta, no feriado do dia 21 de abril, conseguiu prender o suspeito que estava foragido. O Dr. pode nos relatar como ocorreu a prisão?

DR. DOMINGOS ANTONIO DE MATTOS - No dia da operação, infelizmente, nosso principal suspeito conseguiu se evadir, dando início a um novo trabalho de inteligência e paciência de Policiais Civis para sua localização e prisão, sendo que nesse período dezenas de informações aportaram na Delegacia de Polícia denunciando seu suposto paradeiro. Após várias diligências, inclusive na zona rural, conseguimos localizar seu esconderijo, em um bairro periférico de nossa cidade, culminando com sua prisão, na tarde do último dia 21 de abril, efetuada por Policiais Civis.


J.O.S. - O Doutor interrogou o suspeito? Ele confessou a autoria do crime?

DR. DOMINGOS - Após a prisão o suspeito foi conduzido até a Delegacia de Polícia onde, durante interrogatório, confessou a autoria do delito e apresentou, na presença de Advogado, sua versão para os fatos. Segundo ele, no dia do desaparecimento (24/10/19), marcou encontro com Natalia, pessoa com quem mantinha relacionamento extraconjugal, tendo a pego nas proximidades do Jardim do Lago, utilizando seu veículo GM/Captiva, cor prata, e a levado até a casa de seu comparsa (preso no dia em que foi deflagrada nossa operação). 

Durante o encontro se iniciou uma discussão em virtude de Natalia exigir que terminasse seu casamento, inclusive com ameaças dirigidas à sua esposa, momento em que os ânimos se exaltaram e o suspeito desferiu um soco contra o rosto da vítima (fato atestado no laudo de corpo de delito/cadavérico, onde o Dr. Perito concluiu que Natalia apresentava “fratura nos ossos faciais”), a qual veio a esmorecer permitindo que lhe aplicasse o golpe conhecido como “mata leão”. 

Nesse momento solicitou auxilio do comparsa, o qual estava do lado de fora da casa, que lhe forneceu o fio de carregador de telefone celular utilizado em seu enforcamento. Alegou, ainda, que o comparsa retirou e utilizou a própria camisa para tampar a boca de Natalia que pedia por socorro. Concluído o crime de homicídio, deixaram o cadáver da vítima na casa e saíram com o veículo GM/Captiva à procura de um local para que o mesmo fosse enterrado. 

Cavada a cova, em uma mata existente próximo ao bairro do Ibó, retornaram na casa, envolveram o corpo de Natalia, que estava nua, em um lençol e o colocaram no porta malas do GM/Captiva para transporte até onde foi enterrada.

J.O.S. - Então o comparsa, que a Polícia Civil prendeu no dia da Operação Policial, também participou do homicídio? 

DR. DOMINGOS - Levantada essa dúvida, na manhã do último dia 22, determinei que o suspeito (preso no dia da operação) fosse escoltado até minha presença onde foi novamente interrogado e ratificou o que havia revelado em sua oitiva inicial, ou seja, que apenas participou da ocultação do cadáver. Segundo ele, quando chegou à sua casa, foi atendido pelo principal suspeito que solicitou ajuda para esconder o corpo de Natália, o qual estava despido, no chão, com o cordão envolto no pescoço e já sem vida. 

O referido suspeito pediu emprestado, para um conhecido, uma pá e uma enxada alegando que faria “bico” de servente de pedreiro no dia seguinte. Na posse das ferramentas saíram com a GM/Captiva do principal suspeito a procura de local para enterrar o cadáver, sendo a cova por ele aberta em uma mata existente nas proximidades do Bairro do Ibó. Ato contínuo voltaram na casa, embrulharam o cadáver de Natalia em um lençol e o levaram até a cova, tendo ambos o colocado dentro do buraco e o suspeito (preso no dia da operação) a coberto com terra enquanto que o outro o aguardava a distância, como olheiro, para avisar caso alguém se aproximasse. 

Diante da divergência, na próxima semana, deveremos proceder a uma acareação, bem como estaremos realizando a reconstituição do crime.


J.O.S. - Delegado, então a morte realmente foi em virtude da vítima desejar que o autor abandonasse a esposa?

DR. DOMINGOS - O suspeito, que até então estava foragido, informou que mantinha um relacionamento com a vítima havia algum tempo e que, no início, pagava pelas relações, mais no final a mesma não mais queria receber e sim insistia na constituição de família em sua companhia. Em ocasião anterior a vítima teria dito ao autor que iria lhe dar uma prova de amor e assim o fez tatuando seu nome no antebraço. 

Naquele fatídico dia, Natalia teria dito para largar da esposa e que ela não seria empecilho, pois conhecia pessoas do meio do crime que dariam um jeito na mesma, isso em tom de ameaça. Nesse momento ele teria ficado nervoso e desferido um soco contra a vítima para, em seguida, ceifar sua vida. Ressalte que essa versão foi apresentada pelo suspeito, quando de seu indiciamento, para buscar justificativa para o crime.

J.O.S. - Os suspeitos estão presos?

DR. DOMINGOS - Sim, eles foram presos em virtude de Mandado de Prisão Temporária expedido pelo E. Juízo local, pelo prazo inicial de 30 dias, no entanto, pretendo encerrar o inquérito policial, antes desse prazo, bem como representar pela Prisão Preventiva de ambos, propiciando que permaneçam em cárcere até o julgamento.

J.O.S. - É verdade que os suspeitos, durante a ação, passaram em um Posto de Combustível para tomar água?

DR. DOMINGOS - Esse fato realmente aconteceu e demonstra frieza com a qual os suspeitos cometeram o crime, sempre procurando deixar álibi de onde estavam durante o então desaparecimento de Natália. Note-se que no momento em que pararam o veículo no posto, para tomarem água, o cadáver de Natália já estava no porta-malas para ser enterrado na cova anteriormente cavada.