Como reconhecer e fugir dos golpes na internet sobre coronavírus


Tem mesmo empresa de streaming liberando o sinal do seu conteúdo? Ou cervejaria distribuindo álcool em gel para a população? Esses são apenas dois dos golpes que estão sendo aplicados pelo Brasil em tempos de pandemia do coronavírus. Segundo o pesquisador da Kaspersky, Fábio Assolini, são exemplos que mostram como os golpistas têm se aperfeiçoado cada vez mais e demonstram a importância de se manter alerta nas redes.

— Esses dois casos são bem emblemáticos porque demonstram como os fraudadores se aproveitam do momento para confundir os usuários. Por exemplo: de fato, algumas empresas de streaming liberaram o sinal, mas não a que eles colocam no golpe. E uma grande empresa também está distribuindo álcool em gel, mas para hospitais, e não para a população. Os golpes estão cada vez mais sofisticados e, em épocas como as de agora, em que há muita informação e medo circulando, é preciso redobrar a atenção.

O especialista diz que as fraudes costumam ser feitas pelo Whatsapp. Há dois procedimentos comuns adotados: o envio de um link com promoções e ofertas falsas, onde é pedido para que o usuário informe seus dados pessoais e do cartão de crédito. Esse golpe é chamado de phishing.

O outro é quando o endereço da página leva para o download de um aplicativo, que vai funcionar como espião e passar para o golpista os dados gravados no celular, incluindo senhas de acesso bancário.

— O objetivo é sempre roubar dinheiro. As pessoas estão isoladas, com medo do corona e mais tempos conectadas. Isso tudo propicia o cenário ideal para o golpista se aproveitar desse momento. A dica geral é: desconfiar e pesquisar sempre.

Sem desespero Uma pandemia como a do novo coronavírus gera ansiedade, medo e até pânico. Os fraudadores sabem disso e tentam se aproveitar da situação. Por isso, nessas horas, manter a calma é fundamental também para não cair em golpes da internet. Não forneça dados e nem clique em qualquer link por impulso, por mais alarmista e imediatista que soe a mensagem.

Na conversa... A imensa maioria dos golpes vem hoje pelo WhatsApp, a ferramenta de troca de mensagens mais popular no Brasil. Antes de clicar, verifique quem está mandando o link e pergunte sobre o assunto. Se vier de um endereço desconhecido, não clique. O mesmo vale para e-mails.

Não baixe aplicativo através de links Procure sempre o produto/empresa na loja on-line do seu sistema operacional (Android ou iOS).

De confiança Há versões gratuitas de diversos antivírus de empresas confiáveis, que vão filtrar e eliminar ameaças. Tenha um deles e, periodicamente, faça uma varredura no seu dispositivo.

Converse com outras pessoas Recebeu link para uma promoção? Antes de qualquer coisa, consulte pessoas próximas. Veja se mais alguém está sabendo do assunto e se também recebeu a promoção. Em geral, fraudadores pedem para que o usuário compartilhe o link do golpe com seus contatos. Então, as chances de alguém já ter caído no golpe ou saber se é mentira são grandes.

Fique atento Um dos primeiros passos é observar bem a linguagem usada e a aparência da mensagem. Há erros de ortografia? O logo da empresa parece mesmo com o original? Fraudadores mais amadores tendem a errar logo aí.

Na carteira Forneça o número do seu cartão de crédito somente se for, de fato, comprar algo, em lojas on-line de confiança. Se alguma empresa está com produtos de graça, por que precisaria dos dados do seu cartão?

Se a esmola é demais Promoções mirabolantes, com benefícios sem custos e retorno financeiro rápido, devem sempre ser vistas com desconfiança.

Internet a seu favor Em geral, golpistas tendem a manipular uma informação verdadeira apenas nos detalhes para que ela pareça verossímil. Consulte os sites dos grandes meios de comunicação e fontes oficiais, como o Ministério da Saúde e órgãos de defesa do consumidor.

Palavras-chaves Busque informações em sites de pesquisa e redes sociais. Uma boa dica é inserir o nome da promoção ou da companhia junto com a palavra “golpe” para saber se outras pessoas já relataram a fraude.

Nunca informe senhas As próprias empresas costumam avisar que não pedem senhas pessoais aos seus clientes. Nunca informe a sua, especialmente de bancos.

Direto na fonte Está na dúvida? Antes de clicar em qualquer link, vá no site da empresa que alega estar oferecendo a promoção e veja se as informações procedem. Ainda está desconfiado? Entre em contato com a companhia através dos meios oficiais para saber se a oferta é fraude.

Fraudes mais comuns Os golpes mais recorrentes atualmente envolvem uma empresa de streaming, que estaria oferecendo acesso gratuito, e de uma grande cervejaria, que estaria dando álcool gel para a população. As duas são fraudes.

Corra atrás do prejuízo Em geral, quem cai na fraude percebe isso logo após informar os dados. Se isso acontecer, imediatamente instale um antivírus e faça uma varredura no celular, para eliminar aplicativos espiões. Se forneceu dados pessoais, faça um boletim de ocorrência para se proteger, caso usem as informações em compras. E, se deu o cartão de crédito, cancele-o imediatamente.

Mais tempo de home office, mais exposição Muitas pessoas estão trabalhando de casa e, por conta disso, acabam passando mais tempo conectadas (a reunião que antes era presencial passa a ser online, por exemplo) e, em muitos casos, em seus aparelhos pessoais, que costumam ser menos protegidos do que os das empresas. Redobre a atenção.