Delegado Responde - Informações sobre falsa comunicação de crime


JORNAL O SANTARRITENSE - Dr. Domingos, segundo tomamos conhecimento, através de matéria veiculada na internet, essa semana ocorreu mais uma comunicação falsa de crime. O Dr. pode comentar este fato?

DR. DOMINGOS ANTONIO DE MATTOS - Na tarde do último dia 10 compareceu na Delegacia de Polícia um elemento alegando que trafegava com sua motocicleta, realizando serviços bancários para algumas empresas do município, transportando numerário, quando, na Rua Francisco Ribeiro, esquina com a Rua Victor Meirelles, centro, teria sido abordado por dois elementos, os quais ocupavam uma motocicleta, cor preta, e, simulando estarem na posse de arma de fogo, anunciaram o assalto exigindo a entrega do malote, guardado no baú, fugindo e tomando rumo ignorado.

No dia seguinte aos fatos, ao ser indagado por seus empregadores, citado elemento mudou a versão apresentada para o desaparecimento do dinheiro e esclareceu que, após comparecer no Banco Bradesco para efetuar depósito no Caixa Eletrônico, constatando movimento acima do normal, decidiu realizar outras tarefas, tendo colocado os envelopes com dinheiro em uma sacola plástica, a qual foi guardada no baú existente na motocicleta. 

Em determinado momento, após comparecer em vários estabelecimentos comerciais, quando trafegava nas proximidades da Praça Mario Matoso, notou o baú aberto e parou para fecha-lo, notando a falta do malote com os envelopes para depósito. Temendo ser demitido inventou a versão anterior de que teria sido roubado por dois elementos. 

Informou, ainda, que era normal o baú da motocicleta se abrir quando passava por lombadas ou depressões existentes na cidade. Durante os inúmeros anos que trabalhou na empresa nunca teve nenhuma conduta que o desabonasse.

J.O.S. - Dr. Domingos, quais as providências adotadas pela Polícia Civil?

DR. DOMINGOS - Desde a elaboração do boletim de ocorrência do suposto roubo, o setor de investigação foi acionado e está efetuando diligências para total esclarecimento dos fatos, inclusive verificação se a segunda versão apresentada é verídica. Somente após um trabalho minucioso de investigação poderemos formar convicção do que realmente ocorreu, sendo imaturo qualquer tipo de pré-julgamento.

J.O.S. - Mais e quanto à falsa comunicação de crime? 

DR. DOMINGOS - Esse delito está consumado e sua autoria identificada, devendo ocorrer à responsabilização nos termos de nossa legislação penal.

J.O.S. - Na quinta-feira também houve apreensão de motocicleta suspeita de ser produto de crime?

DR. DOMINGOS - Sobre esse caso, na quinta-feira p.p., policiais militares apresentaram um elemento na Delegacia narrando que tiveram notícia de que o mesmo estaria na posse de uma motocicleta produto de roubo. No endereço do suspeito localizaram uma motocicleta marca Honda, modelo Tornado, com o chassi pinado, bem como um rolo de fio elétrico usado. 

Indagado o suspeito alegou que adquiriu a motocicleta de um elemento da cidade (citou o nome) mediante exibição da NF do leilão onde a mesma havia sido adquirida. Quanto à fiação alegou que a mesma foi deixada em seu comércio por um cliente, desconhecen- do sua origem. Ante esses fatos determinei a apreensão da motocicleta e da fiação, bem como oitiva do suspeito e diligências do S.I. para total esclarecimento dos fatos.

J.O.S. - Mais a motocicleta é produto de crime, o suspeito cometeu o crime de receptação?

DR. DOMINGOS - A Polícia Civil não trabalha com achismo, todas nossas condutas são embasadas em elementos de prova apurados durante uma investigação isenta e que busca apenas a verdade dos fatos. Antes de qualquer opinião, prefiro aguardar o resultado do trabalho investigativo, principalmente porque foi exibida uma NF e também citada pessoa, de nossa cidade, que teria vendido a motocicleta para o suspeito.