Especial: Antigos clubes santa-ritenses


Outros costumes. Vida segura num tempo pacífico. Poucos rádios, Televisão? Não sabiam o que era. E, fortalecidos, havia os clubes recreatitivos e dançantes, o bom futebol, bocha, sessões de cinema, circos e parques, amizades sinceras... tudo formando uma estrada florida, para ser caminhada sob um céu de felicidade.

Em tempos mais remotos, os clubes recreativos e dançantes eram a maior opção de entretenimento. E eram muitos. Naquele tempo distante, quem andasse pela cidade encontraria o Club Internacional, situado em elegante prédio da Rua do Comércio, número 34 (atual Rua Victor Meirelles), ao lado do Cine Smart, em lugar hoje ocupado pela casa 550. O prédio desse Club foi construído pelo Sr. José Castagnetti. Foi inaugurado no dia 12 de fevereiro de 1914, tendo no vasto salão, da frente, bar, moderno bilhar e nos cômodos internos mesas para jogo.

O Club Internacional durou pouco. O seu prédio, em dezembro de 1915, foi alugado ao Sr. Francisco Silva que para ali transferiu o seu Club Central, então situado na Rua Senador José Bonifácio, 82 (atual Avenida Severino Meirelles). Pouco depois, em 01 de dezembro de 1917, o Sr. Francisco Silva comprou a casa vizinha, de número 28, esquina com a Rua Duque de Caxias, onde funcionou o Cine Smart, e para ali transferiu o seu Club Central.

Fundado em 14 de junho de 1911, no Largo da Matriz, defronte ao Jardim Público e esquina com a Rua Santa Rita, tinha a sua sede o Club Literário e Recreativo, instalada no porão da bela residência do Coronel Severino Octavio de Souza Meirelles, hoje pertencente à Família Margutti. Era um clube da elite santa-ritense.

No dia do seu terceiro aniversário, 14 de junho de 1914, as festividades estiveram a cargo da comissão formada pelos senhores, Dr. Rangel Júnior, Dr. Dario Castelar, Major Araújo Netto, Carlos de Queiroz, Arthur Whitaker e Manoel de Paula. Esse clube foi fundado por João Mattoso, Eugênio Pinheiro, Carlos de Queiroz, Dr. José da Costa Rangel Júnior e outros.

Os festejos terminaram com um baile com orquestra dirigida pelo maestro José Gomes de Abreu e composta pelos músicos Sebastião Candido de Andrade, Adolfo Gomes Leitão, Arthur de Carvalho, Pedro Bizzarro e Guido Belon. Por ocasião do seu nono aniversário em 14 de junho de 1920, o Club Literário e Recreativo tinha como presidente o Dr. Dario Castelar; vice, o Sr. Sebastião de Oliveira; tesoureiro, Francisco Teixeira da Silva e secretário, Manoel de Siqueira. Em 1927, tinha por diretores os seguintes: Dr. Alcides Ribeiro Meirelles, senhora Jessy Palma Meirelles; senhora Philomena Oliveira Fausto e senhora Angelina Audrá.

No lado sul da cidade, numa parte do terreno do antigo Largo do Cemitério Velho que depois passou a chamar-se Praça Rui Barbosa, onde hoje está o Asilo São Vicente de Paulo, houve uma associação denominada Lawn Tennis que tinha por objetivo a instalação ali de diversos jogos atléticos, para cultura física da população, como também para recreação das famílias santa-ritenses. Eram membros constituintes dessa associação os Drs. Benedito Armando Teixeira Paes (advogado); Francisco Meirelles dos Santos (promotor de justiça); Dario Castelar (médico) e José Thomaz Vita (comerciante).

Em 15 de dezembro de 1918, foi eleita a sua primeira diretoria, que ficou assim constituída: Presidente, Dr. Dario Castelar; Vice-presidente, Francisco Teixeira da Silva; Tesoureiro, José Thomaz Vita; Secretário, Manoel de Siqueira. No dia 01 de janeiro de 1919, foi inaugurado o seu campo de tênis, com uma missa campal.

Não sei onde localizado e provavelmente fundado em 1918, o Democrata Familiar Club, em 27 de julho de 1919 assim tinha a sua diretoria: Presidente, José Mesquita Marinho Filho; Vice-presidente, Baltazar Barreto; 1° Secretário, Mário de Brito; 2° Secretário, Francisco Mesquita; Tesoureiro, Narciso Nori, Mestre-sala, Aurélio Bartholomei e Octacílio Cardoso; Fiscal, Sebastião Gomes Leitão. Em julho de 1929 esse clube ainda estava em atividade.

Também houve o Club dos Democratas, cuja diretoria era: Presidente, Dr. Eugênio Bonetti; Tesoureiro, Virgílio Villela; Diretor técnico, Gilberto Lago; Fiscal de préstitos, Mário Boeris Audrá.

Em 23 de janeiro de 1919 foi fundado, por vários cidadãos, entre eles o Sr. Ferdinando Rani, um clube recreativo e dançante denominado Ideal Club Operário, que tinha a sua sede em um prédio da Rua Coronel Joaquim Victor, esquina com a Rua José Bonifácio. Hoje esse prédio, bastante modificado, tem os números 626 e 583. Depois teve a sua nova sede na mesma rua, no prédio cuja foto está aqui mostrada. O seu lugar hoje está ocupado pela Loja Star.

Tem-se notícia de que seu primeiro presidente foi o Sr. Alexandre Guzella. Em janeiro de 1921 a sua diretoria estava assim constituída: Presidente, Romulo Sartoretto; Vice-presidente, Attilio Bianchini; Tesoureiro, João Vanzella; 1° Secretário, Ferdinando Rani; 2° Secretário, Adelino Rizzardo; 1° Fiscal, João Michelan; 2° Fiscal, Antônio Pontes Martins, 1° Mestre-sala, Garibaldi Giovanini; 2° Mestre-sala, João de Freitas. Num dia, não sei quando, o Ideal Club Operário teve a sua denominação alterada para Club Recreativo Operário.

Em 20 de janeiro de 1938, o Sr. Victorino Regazzi e sua mulher, senhora Amália Minelli Regazzi, residentes em São Manoel-SP, representados por João Barbatana, venderam ao Club Recreativo Operário, representado pelo seu presidente Antônio Pontes Martins, o prédio número 2 da Rua Prudente de Moraes (atual Rua José Rodrigues Palhares), que hoje, bastante modificado, tem os números 591 e 607. O tempo passou. Em Assembleia Geral realizada no dia 16 de agosto de 1944, quando era presidente do Club o Sr. Francisco de Rosa, por unanimidade foi alterada a denominação do Club Recreativo Operário para Clube Recreativo

Na foto mostrada (no início do artigo) vê-se a diretoria do Clube Recreativo Santa-Ritense, estando: de pé, da esquerda para a direita, José Rodrigues Palhares, Ferdinando Rani, Francisco de Rosa, Brasil Paulista da Silva Prado, Victório Vanzella e Ernesto Spadon; sentados: Giacomo Barbuio, Antônio Pontes Martins e José Giaretta. Fundou-se em março de 1938 o Club Recreativo Ideal. A sua sede estava instalada no salão do prédio de propriedade do Sr. Antonio Moda, sito na Rua Coronel Joaquim Victor número 368, esquina com a Rua José Bonifácio, onde foi a sede do Club Recreativo Operário. Hoje, esse imóvel, bastante modificado, tem os números 626 e 583.

A primeira diretoria do Club Recreativo Ideal era esta: Presidente de honra, Antonio Moda; Presidente, Sebastião da Silva Borges; Vice-presidente, Bazílio de Andrade; 1° Tesoureiro, Carlos Braga; 2° Tesoureiro, Luiz Tozetti; 1° Secretário, Gumercindo Ivo; 2° Secretário, João B. de Araújo; 1° Mestre-sala, Caetano Barioni; 2° Mestre-sala, João Zanotto; 1° Fiscal, José Braga; 2° Fiscal, Sebastião Borges do Nascimento; 1° Cobrador, Anselmo Brun; 2° Cobrador, Eugênio Figueiredo. Dos clubes antigos penso ser este o último.


Agora, tendo em conta a foto do velho prédio aqui mostrada, vou elencar os seus antigos proprietários:

O primeiro proprietário dessa casa que se situava na Rua Barão de Cotegipe número 2, Largo do Rosário (hoje rua Coronel Joaquim Victor), foi o Sr. Floriano Puccinelli que, em 09 de junho de 1896, permutou-a e mais duas casas suas, com uma propriedade agrícola denominada Santa Thereza, pertencente ao Sr. Francisco Bezerra de Azevedo, situada em Pirassununga.

Passados poucos anos, em 9 de outubro de 1900, Francisco Bezerra de Azevedo e sua mulher, senhora Thereza Gabriella Escobar, venderam a casa ao Sr. Carlos de Oliveira Salles, cuja viúva, senhora Thereza Cunha Salles, em 06 de fevereiro de 1922, vendeu-a ao carpinteiro Alexandre Guzella. Este que era casado com a senhora Clementina Mattinze, vendeu-a ao Sr. João Bueno Gonçalves, em 23 de dezembro de 1924.

João Bueno Gonçalves e sua esposa Paula Maria Gonçalves, domiciliados em Pirassununga, de passagem por Santa Rita, em 14 de maio de 1925 venderam a casa à Sociedade Beneficente Internacional, representada pelo seu presidente Camilo de Carvalho Osório e pelo seu tesoureiro Jacinto Tonetto.

E foi assim do começo ao fim.

Pedro Antonio Bianchini