Alunos do SESI entrevistam o escritor Fernando Vaz


Fernando Vaz nasceu em nossa cidade, estudou em escola pública, cursou Direito na USP, foi funcionário público, bancário e escreveu mais de 57 livros, entre eles: “É tudo mentira”, “Sabor de vitória”, “O ciclo da soja”, esse último, tem Santa Rita do Passa Quatro como cenário e “Mohamed, um menino afegão”, que vendeu um milhão de exemplares.

Uma passagem de sua vida o inspirou a escrever o livro “Carrego no peito”, que narra uma história de superação. O referido livro, sugerido pela Professora de Português Carla Bergo Cremonesi, foi lido e trabalhado pelos alunos do 7o ano do SESI “Salomão Esper”, o que motivou o convite ao escritor para um encontro. No dia 18 de outubro de 2019, Fernando Vaz foi recebido na Biblioteca da Escola e manifestou grande alegria por saber que o livro sensibilizou tantos jovens e por ajudar pessoas a superarem momentos difíceis. 

O escritor relata que o seu problema cardíaco foi diagnosticado após 40 anos, quando desmaiou no trabalho. Após exames, foi indicado o implante de um aparelho chamado marca-passo. Depois do implante, surgiram outros problemas de saúde, sendo necessário realizar acompanhamento médico de seis em seis meses. Em um desses retornos, ele viu, na recepção, uma menina de 8 anos. 

Ficou curioso e perguntou ao doutor se ela também usava o marca-passo, ele respondeu que sim. Então, pensou em criar uma história. Mas não queria contar sobre sua vida, pois sempre partiu do princípio: “não escrever sobre problemas pessoais”, e como tinha irmãos gêmeos e via que eles tinham um carinho especial um pelo outro, resolveu escrever a história de um casal de gêmeos, em que a menina era portadora de uma deficiência cardíaca como a dele e foi assim que criou a encantadora história: “Carrego no Peito”. 

Com inteligência e didática falou sobre diversos assuntos e afirmou: “A palavra é o cimento que une os homens em uma sociedade” e apresentou seu conceito de Homem: “o homem é o único animal que lê, o cachorro não lê, o gato não lê, apenas o homem”. Os alunos também fizeram perguntas a ele.

Lucas: O que ou quem o motivou ou o inspirou no começo? E atualmente?

Fernando Vaz: Eu não sei, eu gostava de escrever... no banco eu escrevia no tempo livre, quando escrevi um artigo para o jornal.

Caetano: Tem algum escritor favorito ou escritora preferida?

Fernando Vaz: Eu tenho preferência por autores antigos, gosto do romancista Machado de Assis. E no âmbito infantil gosto do escritor de Pinóquio, Carlo Collodi...

Caetano: Há quantos anos escreve? Quando era criança, já tinha o sonho de escrever?

Fernando Vaz: Sempre gostei de escrever, desde pequeno.

Leonardo: Dos livros que escreveu, de qual gostou mais? Por quê?

Fernando Vaz: Eu gosto de todos os livros que escrevi, até os que não foram publicados, mas um que teve uma repercussão maior foi “Mohamed” um menino afegão, lançado na bienal do livro em São Paulo.

Leonardo: Quando escreve precisa de absoluto silêncio ou ouve alguma música?

Fernando Vaz: Eu prefiro o silêncio.

Isadora Viotto: Está escrevendo algum livro, atualmente?

Fernando Vaz: Não, pois o mercado mudou, nasci na primeira metade do século XX, e foi um século muito violento, muitas mortes por causa das guerras, e se escrevesse se- ria um livro tratando sobre os problemas do século passado.

Isadora Viotto: Quais as maiores dificuldades que encontrou como escritor?

Fernando Vaz: Não encontrei dificuldades. Tudo foi acontecendo em minha vida.

Maria Eduarda: De todas as experiências de vida, qual delas foi a mais significativa?

Fernando Vaz: É difícil, pois tenho muitas experiências significativas, como casar, ter filhos, ser avô, e acho que essas experiências me ajudaram a compreender mais as pessoas.

Maria Eduarda: Qual o principal desafio para se tornar quem é hoje? Sente-se reconhecido pelo trabalho?

Fernando Vaz: Eu me sinto muito reconhecido, e meu grande desafio foi es- crever sobre a menarca, que é o nome dado a primeira menstruação, já que eu nunca poderei ter essa experiência, acho que esse foi meu maior desafio.

Pedro: Quais são seus sonhos? Já desistiu de algum?

Fernando Vaz: Praticamente, hoje em dia, já não tenho mais sonhos, mas quero que meus filhos e netos prosperem e que os problemas mundiais se resolvam.

Pedro: Qual seria a melhor maneira para fomentar a cultura?

Fernando Vaz: A melhor forma de fomentar a cultura é o que vocês estão fazendo agora: lendo livros, fazendo rodas, escrevendo poemas...

Helena: Qual é sua opinião sobre a expansão da internet? Ajuda ou atrapalha escritores?

Fernando Vaz: Eu sou um dos maiores fãs da internet, uso muito e creio que só ganhamos com a internet, lembro-me de quando surgiu o primeiro e-mail do Banco do Brasil, o BBnet, ele foi substituído por e-mails mais desenvolvidos.

Helena: Qual mensagem gostaria de deixar para nós, jovens?

Fernando Vaz: Peço a vocês que consigam melhorar o mundo, para que as futuras gerações não encontrem um mundo com problemas iguais aos que vocês encontraram.

Para finalizar o encontro, a aluna Karen parabenizou Fernando Vaz e disse que a obra “Carrego no Peito”, ajudou-a muito e, certamente, ajudou e continuará ajudando outras pessoas. Em nome de todos os colegas, da Professora Carla, da direção e coordenação do SESI, a aluna entregou um singelo presente e uma Coletânea de poemas criados pelos alunos, inspirados na referida obra literária, sob o título: “Memórias, histórias e vitórias”.

Matéria escrita pelo aluno Rafael Leitão Lima.

Trecho do poema da aluna Karen:

"[...] Em meu peito... Carrego o mundo inteiro! Carrego dificuldades! Carrego alegrias e saudades!
O meu sábio coração sempre diz: “Nunca deixe de sorrir e não desista de ser feliz!”