ZPP Meio Ambiente: Investimentos trilionários em petróleo e gás ameaçam meta climática


A indústria de petróleo e gás planeja investir US$ 4,9 trilhões nos próximos dez anos na exploração e extração de novas reservas. É uma quantia enorme de dinheiro para gastar em combustíveis fósseis que deveriam continuar debaixo da terra para o mundo atingir as metas do Acordo de Paris e evitar mudanças climáticas catastróficas.

Essa é a conclusão central de um estudo feito pela ONG Global Witness, que compara os últimos cenários usados pelos principais cientistas de clima do mundo no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) com as previsões da indústria de petróleo e gás para produção e investimento em novos campos entre 2020 e 2029.

Segundo o IPPC, a meta de limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus Celsius até o final do século só poderáser atingida com cortes quase imediatos e drásticos na produção e consumo de petróleo, gás e carvão. Pelo visto, não é o que está acontecendo.

Dados da consultoria Rystad Energy, que embasam o estudo, apontam que a produção de petróleo deverá crescer 12% na próxima década, impulsionada pelo investimento em novos campos. Caso não haja exploração de novas reservas, a produção nos campos atualmente em produção ou em desenvolvimento deverá cair 36%, uma queda alinhada com o que o IPCC indica ser conveniente para mitigar as mudanças climáticas.

"Se esse vasto investimento [de US$ 4,9 trilhões] em novos campos for adiante, ele nos levará para os impactos mais perigosos e imprevisíveis do aquecimento: mais incêndiosflorestais, mais secas, mais inundações, mais furacões, mais perda de espécies. E embora isso provavelmente não deixe ninguém intocado, são as pessoas mais pobres do mundo que seriam as mais atingidas", alerta o estudo.

Fonte: exame.abril.com.br