Antenado, com Schubert Persine - Acostumado com a arte de perder


Esta semana que passou aportei na cidade e a sensação que tenho é que cada vez que passo pelas suas ruas o triste sintoma de como se fosse a última vez. Inexplicável. E nessa passagem rápida sinto que as coisas estão mudando e velhos casarões de famílias vão se perdendo em entulhos principalmente na sua principal rua e passarela de todos os santarritenses.

Nessa metamorfose ambulante a cidade perde a sua história e dentro dessa mesma história estão contidas nos velhos prédios famílias tradicionais de nossa terrinha. Recordo-me quando demoliram a casa do farmacêutico Tuniquinho, figura amável e torcedor fanático do Corinthians, não bastou perder aquele estiloso imóvel, em frente ficava a sua farmácia no velho estilo clássico, como era a decoração dos comércios antigos.

Os santarritenses mais antigos devem se lembrar da Casa Barcelos onde hoje é uma Casa Lotérica! Nascer, viver e conviver mesmo residindo fora tem muitos pontos positivos, sabemos e acostumamos com as coisas, mesmo com essas mudanças em nome do progresso, nossa cidade traz um sentido de comunidade, a rua que nascemos, um conteúdo de coisas que vai adicionando na formação de nossa personalidade.

Muitas coisas já mudaram nas três principais ruas, mas o sentimento maior de perda é quando essa mudança acontece na sua artéria principal, como notei com os fins das casas dos Vitta e a casa onde antigamente era a Farmácia Central.

Ainda não perdemos tudo, uma pequena parte já foi embora, o quarteirão da Matriz onde estão localizados os velhos e bonitos casarões que sobrevivem, apesar de já terem cometido um crime quando construíram a Caixa Econômica Federal que resultou na demolição de um velho e histórico casarão. Toda essa moldura faz parte de um passado e está contido em cada um dos mais velhos dos santarritenses. Até a morte, temos que nos acostumar.