Antenado, por Schurbert Persine - A revolução da bola


No papo no boteco dos Campos Elíseos, bairro quase central de Ribeirão Preto, o assunto não poderia ser outro, senão futebol. O alvo de tudo, principalmente perguntas sobravam para mim.

Até que estrilei – “Porque eu”? – Respondeu Nininho que marcou época como árbitro do futebol amador de Ribeirão Preto – você é o pai da matéria. Sobraram risos.

Nesse papo de perguntas e respostas sobrou mais uma. E a Santarritense? Disputa o quê?

Nada, absolutamente nada. A bola murchou e os coveiros da bola enterraram uma história que vem desde 1925. Respondi secamente e com certa saudade dos bons tempos que a nossa pequena Santa Rita do Passa Quatro respirava futebol.

Longe dessa introdução de papo de “buteco”, enquanto o país explodia num movimento deflagrado naquele 31 de março de 1964 como objetivo de depor o governo do presidente João Goulart, a nossa pequena cidade com fantásticos homens faziam uma verdadeira revolução, mas futebolística.

Já se passaram 55 anos, tempos esses em que a cidade era pequena e os homens eram grandes.

Chamado de Grupos de Notáveis esses santarritenses fantásticos tiravam a nossa pequena Santa Rita do Passa Quatro do anonimato, colocando-a como representante da cidade na Terceira Divisão do Futebol de São Paulo, isso quando a bola paulista era composta por apenas três divisões.

A presença da nossa “Veterana” no futebol profissional mexeu com brios de cidades e clubes da nossa região,tempos depois também ingressaram no futebol profissional.

A Santarritense debutava na terceiro na paulista com umtimaço que ficou na memória dos velhos torcedores: Oceânia, Dorival, Dagoberto, Zé Gaiola (o único santarritense) e Jair; Zoé e Gonçalo; Carlinhos, Garcia, Cesário e Prates.

E nesse primeiro ano de futebol profissional a Santarritense chegava à final contra o São José jogo que levaria o time vermelho e branco para a segunda divisão.

Aí a política entrou em campo e a nossa representante perdeu o acesso numa lambança da Federação Paulista de Futebol que merece ser contada em outro artigo.

Não tenho lembranças e nem conhecimentos de fatos de nossa gente com a revolução, mas tenho boas recordações desses ousados cidadãos de nossa terra que sem arma, mas com vontade, amor ao clube, a sua cidade, fizeram a nossa pequenina terrinha ser reconhecida através do futebol.

Esses homens foram grandes e merecem ser lembrados para sempre porque mudaram a história de um clube e de uma cidade com armas simples: dedicação, vontade, amor e uma bola.