ZPP Meio Ambiente - Entenda por que moradores de São Paulo sempre terão que conviver com alagamentos


Ao longo de um século, São Paulo foi construída em um processo de “negação” dos cerca de 300 rios e córregos que faziam parte da paisagem. As águas foram cobertas por avenidas e a vegetação deu espaço aos prédios. A cada verão que chega — e junto vem a chuva — a metrópole pagar o preço de ter sido erguida dessa maneira. Para especialistas, os alagamentos, que sempre estiveram presentes na história da capital, vão continuar sendo um problema.

Nos últimos cem anos, cerca de 1.500 km de córregos foram transformados em tubulações. Em cima deles estão grandes avenidas, como: 23 de Maio, Nove de Julho, Sumaré, Pacaembu, Pompeia, Prestes Maia e outras dezenas. Além disso, os rios Tietê, Tamanduateí e Pinheiros tiveram seus cursos retificados. Ao lado dos leitos, estão as marginais e também a avenida do Estado.

Cobrir um rio com uma avenida não se mostrou uma solução inteligente ao longo dos anos. Desde a década de 50, a região do Anhangabaú sofre com alagamentos. O mesmo acontece na avenida Nove de Julho e em outros pontos em toda a cidade.

Em São Paulo, pouco se pensou até hoje sobre como evitar que a água da chuva caia nesses córregos canalizados. Todas as bocas de lobo desaguam neles, em uma velocidade rápida, deixando-os saturados.

Para o professor da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) Paulo Pellegrino, sempre houve “algo errado com o desenho que fizeram da cidade”.

— O grande erro foi tentar domar os rios, foi ter negociado errado com a natureza. A enchente sempre existiu. Quanto mais se canalizou os rios, mais o problema piorou.

Um exemplo clássico de como São Paulo cresceu desordenadamente é o Jardim Pantanal, bairro na zona leste construído na várzea do Tietê, assim como outros. Moradores da região sofrem constantemente com as inundações. Isso porque, historicamente, aquele era o lugar tomado pelas águas do rio em épocas de cheia. Deveria ter vegetação e não casas.