Antenado, por Schubert Persin - A Cidade e os Paralelepípedos


Convite feito, convite aceito. A minha história no jornalismo começou no O Santarritense ainda quando tinha dezesseis anos escrevendo sobre futebol e falando sobre o mesmo assunto na então Rádio Francisco Alves (que nunca deveria ter trocado de nome), hoje Zequinha de Abreu.

As minhas passagens no “O Santarritense” sempre foram de vindas e idas, mas estou feliz de voltar a marcar presença na página desse semanário. Santarritense, nascido ali no Quati, a imagem que guardo é de uma cidade sem algumas das suas ruas sem pavimentação, como também pude presenciar a chegada do calçamento na Rua Sete de Setembro, rua que eu nasci e que faz parte da minha infância e juventude.

A verdade é que essa Santa Rita de ontem vai aos poucos perdendo os seus encantos, principalmente quando notamos alguns dos velhos casarões de famílias tradicionais demolidos em nome do progresso.

O que nos resta e tem que ser preservada para uma cidade que é rotulada como turística, são as suas ruas principais e seus calçamentos combinando com as calçadas em pedras portuguesas e seus bonitos desenhos.

Esse quadro dá um tom de uma cidade bucólica e queiram ou não, clima favorável quando somos visitados, mesmo porque temos pouco a oferecer a quem nos visita.

Fico sabendo que a discussão é colocar fim do calçamento numa das suas principais e tradicionais artérias de nossa cidade; difícil de entender como é chato escrever a palavra paralelepípedo, podendo sintetizar como mais uma perda para a nossa terrinha.

Entendo que as ruas ou qualquer obra pública precisam de preservação por parte dos homens públicos e tratando-se principalmente de nossas ruas e calçadas, descuido que se estende desde outros governos.

A verdade é que cada pedra dessas ruas e calçadas tem um pouco da história de cada um de nós santarritenses, quem chegou agora tem que respeitar a cidade que o abraçou, mesmo sabendo que a palavra gratidão em política é pouco ou quase nunca usada.