Pensando Bem: Culpas e Desculpas


Em nossos re­lacionamentos, machucamos e somos machuca­ dos. Decepcio­namos e somos decepcionados e nem sempre há intencionalidade nessas ações. No entanto temos o hábito de sermos condescendentes

com nossos erros e intransigentes com os erros dos outros. Somos rápidos em atribuir culpa aos outros e hábeis em formular desculpas para nós mesmos.

O mercado está repleto de literatura de “auto ajuda” onde muita gente tem procurado “se conhecer melhor” para se relacionar melhor. Tal auto conhecimento nem sempre nos leva a mudanças significativas e nosso comportamento parece fazer parte de um programa “de fábrica” sem senha de acesso. Logo desanimamos e o livro vai para a estante para nunca mais ser consultado.

O grande problema da literatura de auto ajuda está no fato de ignorar a raiz de nossos defeitos. Partem da premissa equivocada de que podemos, com nossa força de vontade, provocar mudanças que, naturalmente, pro­duzirão resultados em nossos relacionamentos.

Identifico o problema, modifico alguns hábitos na mente, passo a praticar algumas ações assertivas e como num passe de mágica, sou uma nova pessoa! Será? É preciso um ato radical, no cerne do problema e a implantação de um novo “programa” em substituição ao fracassado.

Há uma frase em minha “velha Bíblia” que muito me ajudou e até hoje é fonte de força e prazer: “Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!” (2a Corintios 5:17). Numa outra versão lemos: “Quando alguém se faz cristão, torna-se uma pessoa totalmente nova por dentro. Já não é mais a mesma. Teve inicio uma nova vida!” (A Biblia Viva).

“ - Ah!”, você me dirá. “ – Conheço pessoas cristãs que são iguais ou até piores do que as que não são”. Sim, também conheço. Mas permita­me dizer que denominar­ se cristão, na sociedade ocidental atual, tem se tornado “pop”, em alguns casos, outorga algum “status”. Mas não se engane. Jesus afirmou: “é pelo fruto que se conhece a árvore” (Mateus 7:20). 

O fato de haver cristãos que não demonstram transformação de vida não anula a obra perfeita que Cristo faz na vida dos que a ele se entregam e o seguem. Se um médico é ruim, todos os demais também são? Topar com advogados mentirosos me dá o direito de atacar todos os profissionais do direito? 

Fazer uma lista de professores in­competentes significa que não há competência em nenhum docente? De forma alguma. Aprendi a não generalizar, a considerar a verdade com responsabilidade. Se fosse dar mais valor ao péssimo exemplo de alguns ditos “cristãos” jamais conheceria o verdadeiro cristianismo, que se encon­tra em Cristo, tal qual os Evangelhos o apresentam. Conhe­cendo o Cristo da Bíblia encontrei “cristãos da Bíblia”, que vivem em nossos dias, os valores que Cristo nos deixou.

Pensando bem, não há desculpas para fugirmos da verdade de que somos pecadores, por mais bem elabora­das que sejam. Deus tem razão ao afirmar: “todos pecaram” (Romanos 3:23). Sim, essa é uma verdade da qual não pode­mos nos esquivar: está escrito: “Não há nenhum justo, nem um sequer; “não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Romanos 3:10 à 12). 

Mas alguns dirão: há pessoas boas, há pessoas caridosas, honestas e que pensam no próximo, e não se consideram cristãs. Você acha que nós, mortais, temos condições de dizer quem é “bom” e quem não é? Deus nos criou a sua imagem e semelhança, e sãos seus critérios que importam e não os nossos. Sobre nossos atos bons, diz a Bíblia: “ Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; e todos nós caímos como a folha, e as nossas culpas, como um vento, nos arrebatam” (Isaías 64:6). 

Numa outra versão : “Somos podres e imundos por causa do pecado. As nossas boas ações, que pensamos ser um lindo manto de justiça, não passam de traços imundos. Nós murchamos como as folhas no outono; os nossos pecados nos levam sem destino, como o vento faz com as folhas” (A Bíblia Viva).

Mas há esperança para nós? Deus se importa com nossa condição? O que dizem os Evangelhos sobre isso?