Mulheres na Política: Quem nos representa?


Na semana passada uma notícia do Estadão reportou que o eleitorado feminino é hoje o responsável pela maioria dos votos brancos e nulos declarados em pesquisas de intenção de voto para presidentes da República”. Entre os motivos para apontados pelas mulheres estão a desilusão com os recorrentes escândalos de corrupção da classe política e o sentimento de que os atuais políticos não as representam.

Mesmo sendo maioria dos eleitores, segundo o CNI/Ibope as mulheres representam 52% do eleitorado nacional. Apesar de trabalhar mais em casa, estudar mais e, ainda assim, receberem salários menores, nós, mulheres ainda somos sub-representadas na política brasileira.

Em quase todo o mundo, até o início do século XX, o voto era um direito exclusivo dos homens – especialmente dos homens brancos e ricos. O primeiro país a adotar o voto feminino foi a Nova Zelândia em 1893, inspirando mulheres do mundo todo a buscarem por esse direito.

No Reino Unido e nos Estados Unidos, campanhas buscando o direito dosufrágio, isso é, direito de voto nas nas eleições políticas, se iniciaram no final do século XIX, criando o movimento sufragista. Esse movimento, retratado no filme As Sufragistas de 2015 com Meryl Streep, teve origens na urbanização e na industrialização do século XIX, quando mudaram do campo para as cidades, para trabalhar nas fábricas, as mulheres passaram a se conscientizar mais (e precisar) de seus direitos.”

Por aqui, o direito de voto foi concedido às mulheres apenas em 1932, ainda assim apenas as mulheres casadas, com autorização dos maridos, e as viúvas e solteiras que tivessem renda própria, votassem. A luta pela conquista do voto feminino no Brasil durou mais de 100 anos, e as discussões sobre o tema se iniciaram em meados do Século XIX, quando surgiu a imprensa voltada especificamente para o público feminino, trazendo à tona o debate. Lembrando que nenhum direito foi ganho, assim de mão beijada, os direitos foram conquistados, com muito grito, briga, manifestação e insistência.

Infelizmente no Brasil, existe uma diferença enorme no número de mulheres que se candidatam e as que são eleitas, mostrando a falta de visibilidade das mulheres na política. Há nove anos, uma lei obriga os partidos a preencherem30% de suas candidaturas por mulheres, mas elas apenas ocupam 10,7% dos assentos da Câmara e irrisórios 14,8% do Senado. Em nível municipal, dos quase 58 mil vereadores eleitos em 2016, apenas 14% eram mulheres. Em mais de 1,2 mil cidades do país, não há nenhuma uma vereadora. Ainda assim alguns partidos estão tentando diminuir nossa participação (ATENTA!!!).

O que vemos é que mais de metade da população não tem uma voz para si. Não que mulheres tenham que votar em outras apenas por serem mulheres, mas a representatividade política é necessária pois elas entendem o que muitos homens não enxergam. Pautas como creches, a falta de compartilhamento nas tarefas domésticas, maternidade, violência sexual, igualdade salarial dificilmente são pautas de políticos homens. 

Apesar de todas as dificuldades,ativistas e instituições, como a ONU, vem trabalhando para a participação política de mulheres em todos os espaços buscando igualdade de oportunidades. Precisamos de representatividade, apoiando mulheres que lutem por nossas pautas, por isso é importante ficar de olho e participar das escolhas para não escolham por você.

Dani Ruano é Pesquisadora e Consultora de moda
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