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Dani Ruano - Frida Khalo, da Pintura ao Pop


Acredito que você já deve ser lido, visto, ou comprado algo sobre Frida Khalo. Seja uma camiseta com seu rosto, uma coroa de flores, ou uma caneca estampada de cactos, não há como negar que a famosa pintora mexicana do século XX Frida Kahlo foi muito mais que uma artista icônica.

Mais de 60 anos depois de sua morte, a artista mexicana, é lembrada sobretudo por seus autorretratos, continua a inspirare influenciar os mundos da moda, mídia e arte. A artista caiu no conhecimento do grande público em 2002, com o dramático filme que leva seu nome. O filme rendeu a atriz Salma Hayek a indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro pelo papel principal.

Hoje, Frida é pop. Sua arte é profunda, mas seu visual, saias rodadas, xales, cabelo trançado, tiaras florais, sobrancelhas indisciplinadas, inspiram moda,decoração e outros artistas. Não é a toa que uma das instituições culturais de maior relevância do Reino Unido, o museu Victoria & Albert em Londres, acabou de abrir no mês passado uma exposição que irá olhar para ela através do que há de mais íntimo, suas roupas e objetos pessoais. 

Será a primeira vez que esses pertences deixaram La Casa Azul na Cidade do México, onde estavam guardados. Após a morte de Kahlo em 1954, eles foram trancados por seu marido Diego Rivera e só foram libertados em 2004.

Sua história de vida é dolorosa, uma sucessão de tragédias: a pólio contraída na infância, o acidente de ônibus, os três abortos espontâneos e o casamento conturbado com Diego Rivera. Frida pintava durante os períodos de recuperação, seus quadros se tornaram registros autobiográficos e apresentavam sofrimento, frustrações, auto-conhecimento, o relacionamento com Diego, política, feminilidade e a herança mexicana. 


O próprio rosto da artista foi matéria-prima para alguns de seus trabalhos, a tela era seu confessionário. Com tantas fraturas e machucados, viram as dores crônicas que levaram Frida a expressar-se não apenas por meio de sua arte, mas também por meio de suas roupas. A moda virou uma extensão da sua personalidade, um canal onde ela podia revelar-se para o mundo.

O seu estilo único, suas raízes mexicanas em trajes de várias partes do país, se misturam com referências éticas globais. Ele inspirou diversos estilistas e stylists, que fizeram releituras do que ela pintava, do que vestia, como se maquiava e como arrumava seu cabelo. Em 1998, Jean Paul Gaultier colocou na passarela Naomi Campbell e Linda Evangelista, ambas ostentando monocelhas. 

Alguns anos depois, em 2005 foi a dupla Clements Ribeiro mostrarem detalhes inspirados nos seus trajes, suas flores e penteado, em 2014 Alberta Ferrettitraz referências ao seu estilo. A Dolce & Gabbana, mostra na coleção de primavera verão de 2015 umaversão sofisticadada artista.

A exposição, chamada “Making Your Self Up”,inclui desenhos e pinturas, além dos itens escolhidos de seu guarda-roupa. Por isso, além de sua arte autobiográfica, o envolvimento da cultura pop na aparência do artista, a exposição tenta contar uma nova história sobre o que, exatamente, estava por trás de seu olhar: um desejo de acomodar e distrair de suas deficiências físicas.

”Esta é a prova material da forma como Kahlo construiu a sua identidade, Kahlo era, como esta exposição revela com uma clareza sensacionalista, alguém que sofria. Mas também era alguém que criava. Ela não suportava [apenas] a vida, ela a transformava empinturas brilhantes e visionárias.” disse , afirmou Claire Wilcox, curadora da exposição ao jornal inglês The Guardian.

Uma artista que deixou uma marca não só pela sua arte, Frida Kahlo foi um símbolo de luta, uma mulher à frente de seu tempo e uma inspiração para nossa geração.

Dani Ruano é Pesquisadora e Consultora de moda
Siga-a em seu Instagram: burningdany