Delegado responde: atropelamento na Anhanguera e ônibus incendiado


JORNAL O SANTARRITENSE - Dr. Domingos, na manhã da última quarta-feira, dia 02, na Rodovia Anhanguera, neste município, tivemos o atropelamento de uma pessoa. O Dr. poderia nos dar maiores detalhes dessa ocorrência?

DR. DOMINGOS ANTONIO DE MATTOS – A ocorrência mencionada nos foi apresentada por Policiais Rodoviários, os quais, por volta de 09h00 do dia 02 de maio p.p., foram acionados para comparecerem no Km 260+300 mts da Rodovia SP-330, pista norte (sentido capital/interior) no município de Santa Rita do Passa Quatro, para atendimento de atropelamento de um andarilho. 

No local os Policiais Rodoviários receberam a informação de que o veículo Fiat, modelo Toro, placas de São Paulo, trafegava sentido capital/interior quando atingiu a vítima, identificada como Samuel Silva Patrocinio, que tentou atravessar a faixa de rolamento. Em virtude do forte impacto o corpo da vítima foi arremessado no canteiro existente do lado direito da rodovia, onde foi constatado seu óbito. 

O motorista do Fiat/Toro e seu acompanhante, os quais narraram a versão para os Policiais, prestaram depoimentos nesta Delegacia de Polícia alegando que trafegavam normalmente quando, em determinado momento, a vítima adentrou na faixa de rolamento insinuando que iria atravessa-la, sendo então o veículo direcionado para a direita objetivando desviar e evitar o acidente. Ocorreu que, em um movimento brusco, a vítima retornou para o acostamento da direita onde acabou sendo atingida pelo veículo Fiat/Toro e arremessada contra a defensa, falecendo ainda no local. 

Segundo a declaração do condutor e acompanhante do veículo Fiat/Toro, o carro estava com velocidade programada no piloto automático para 110 Km/h. Imediatamente, após a comunicação dos fatos, determinei a instauração de inquérito policial para elucidação dos fatos, bem como requisitei a presença de equipe do Instituto de Criminalística para realização de perícia no veículo e local, bem como determinei o encaminhamento do cadáver para o IML de São Carlos. 

Concomitante a isso, o Setor de Investigação passou a efetuar diligências tendentes a localizar algum parente da vítima e as diligências apontaram como seu último endereço o município do Rio de Janeiro. Nesse diapasão foram mantidos contatos com a Delegacia daquela cidade solicitando diligência no local para eventual localização de algum parente da vítima e comunicação de seu óbito, sendo certo ainda não obtivemos resposta sobre o resultado da diligência.

J.O.S. – Dr., parece que a versão dos ocupantes do Fiat/Toro foram contestadas por algumas testemunhas que, espontaneamente, procuraram a Delegacia. Isso procede?

DR. DOMINGOS - Sim, no final da tarde do dia 02 de maio, 03 jovens compareceram, espontaneamente, na Delegacia de Polícia e prestaram depoimentos apresentando versão divergente daquela apresentada pelo motorista e acompanhante do veículo Fiat/Toro envolvido no acidente. 

Segundo relato de referidas testemunhas, no período da manhã, ocupando um veículo HB 20, trafegavam sentido Ribeirão Preto quando, na altura do Km 260 da Rodovia SP 330, ocupavam a faixa de rolamento da esquerda e notaram que na faixa da direita seguia um veículo Fiat/Toro e, no acostamento, caminhando próximo e paralelo a defensa existente no acostamento, um andarilho. 

Nesse momento o condutor do veículo Fiat/Toro derivou seu veículo para a esquerda, invadiu o acostamento e atingiu o citado andarilho que se chocou contra a defensa metálica. Não pararam em virtude de outros veículos que seguiam logo atrás do ocupado por eles, bem como observaram pelo retrovisor que o Fiat/Toro e um caminhão estacionaram no local. 

Quando já estavam em Ribeirão pesquisou na internet sobre o acidente e tomou conhecimento da versão dada no sentido de que o andarilho teria entrado na faixa de rolamento, o que não teria ocorrido. Inconformados procuraram a Delegacia de Políciapara prestar seus depoimentos e afirmarem que, em nenhum momento, o andarilho adentrou a faixa de rolamento conforme noticiado, desconhecendo o fato que levou o condutor do Fiat/ Toro a invadir o acostamento.

J.O.S. – Qual será o próximo passo da Polícia Civil? E o cadáver da vítima, onde se encontra?

DR. DOMINGOS - Estamos expedindo carta precatória para a congênere de São Paulo solicitando nova oitiva do condutor do veículo Fiat/Toro e de seu acompanhante para que comentem as divergências da versão por eles apresentada com a das testemunhas, para ai podermos formar nossa convicção sobre eventual responsabilidade penal. O cadáver da vítima, a princípio, foi enterrado no Cemitério Municipal de Santa Rita do Passa Quatro no aguardo da localização de algum parente ou outra pessoa interessada em sua locomoção.

J.O.S. – Dr. Domingos, essa semana também tivemos o incêndio de outro coletivo que transportava estudantes participantes de jogos realizados em nosso Município. O Dr. já sabe a causa desse incêndio.

DR. DOMINGOS - Segundo chegou ao nosso conhecimento, na madrugada do dia 30 de abril p.p., por volta de 01h00, na Rua Carlos Rossi, altura do numeral 425, Vila São Salvador, foi constatado que o veículo marca Scania, tipo ônibus, placas de Ribeirão Preto, o qual transportou estudantes para evento esportivo que se realizava em nossa cidade, se encontrava pegando fogo, sendo providenciado auxilio para debelar as chamas, no entanto, grande parte do veículo já havia sido consumida pelo incêndio. 

Durante suas declarações na Delegacia de Polícia, o motorista do citado ônibus alegou que, momentos depois do incêndio, localizou ao lado do veículo um frasco plástico contendo resíduos de gasolina. Embora referido frasco não tenha sido apresentado na Delegacia, sua existência no local pode indicar que o incêndio tenha sido criminoso, mais a palavra final ficará a cargo dos Peritos do Instituto de Criminalística de São Carlos que realizaram perícia no coletivo. 

Na busca de esclarecimento sobre os fatos determinei a instauração de inquérito policial que deverá estar concluído no prazo aproximado de 30 dias.