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Já assistimos Jogador N.1, o novo filme de Spielberg





Quando era criança, no final dos anos 80 e no começo dos anos 90, assistir a filmes era sinônimo de sentar no sofá, pegar uma bacia de pipoca e se divertir, sem nenhum compromisso, com Robocop, Karate Kid, Os Três Ninjas, Falcão - O Campeão dos Campeões, Debi e Lóide, e tantos outros filmes, sem me preocupar com universos, debates sobre franquias e coisas do tipo.

O tempo passou, e o cinema encontrou uma fórmula interessante de se fazer dinheiro e garantir sua posição frente aos concorrentes, como Netflix e tantos outros, mantendo o interesse pela sétima arte nas salas de telas enormes. Porém com isso, e não estou dizendo que estão certos ou errados -- isso fica para o seu critério -- aos poucos fomos perdendo este interesse de apenas curtir um filme. Ficamos muito mais críticos, prestamos atenção em bigodes de super-heróis mal retirados em CGI, e questionamos as razões de que herói A não foi devidamente transportado dos quadrinhos ao cinema da forma a qual "ele merecia".

Dito isto, agora posso te contar a minha sensação ao ver Jogador N.1. Me senti novamente uma criança no sofá da sala, que simplesmente conseguia se divertir vendo um filme. O novo filme de Steven Spielberg, baseado no livro de Ernest Cline, busca exatamente isso: a de trazer diversão sem compromisso, abusando de cenas legais, aproveitando de nosso atual momento, para encher a tela de figuras conhecidas da cultura pop -- desde que da Warner Bros., claro -- e sem nenhum interesse de dar razões filosóficas para isso, ou para aquilo. Estas questões ficam a cargo do espectador, e se ele estiver a fim de levantá-las.

Se você quiser procurar todas as referências do filme, vai ter que vê-lo mais de uma vez.

Spielberg é conhecido por, entre várias coisas, saber o que está fazendo. O diretor, que sabe criar um universo novo, como o fez em Jurassic Park, consegue trazer aventuras do nível de E.T, e também apresenta realismo e seriedade em obras como O Resgate do Soldado Ryan, A Lista de Schindler, e Band of Brothers, desta vez ofereceu uma viagem no futuro, mas sem maiores compromissos com reflexões, com todos os clichês possíveis, e exatamente por isso, bastante divertido e cativante.

Na pele de Wad Watts (Tye Sheridan), somos introduzidos ao mundo, mais precisamente, na Columbus - Ohio, de 2044. Em uma cidade que mistura ambientações normais urbanas, como ruas e automóveis, com elétricos dando mais atenção, e favelas que se assemelham com ferro-velho, com "prédios" construídos com os restos das gerações anteriores, conhecemos também o OASIS, uma plataforma de realidade virtual, que, semelhante ao nosso universo online, seja em redes sociais ou de jogos, dá ao jogador a oportunidade de se construir um legado neste universo, mesmo que não tenha muitas conquistas fora dele.

Confesse que você também sempre quis correr qualquer jogo de corrida com essa DeLorean

Sabiamente, Spielberg e companhia conseguem, nos momentos certos e de maneira inteligente, mesclar o real com o virtual, e embora fique difícil no começo, depois de alguns minutos fica mais fácil associar o avatar ao seu "dono". Uma identidade com o público já é apresentada com o OASIS, e seu mundo aberto recheado de atividades, a possibilidade de ter o que sempre quis através de conteúdo digital, e a famosa fuga da realidade, que permite você ser um piloto de corrida, um atirador em um mundo perigoso ou pesquisador.

Porém, sem grandes reflexões sobre o uso do mundo virtual, nem sobre a humanidade do futuro. Os cenários ali estão para apresentar a história, e nada mais. O filme brilha na busca pelos easter eggs propostos pelo criador James Halliday (Mark Rylance), um personagem criado nos moldes de qualquer grande criador do Vale do Silício dos anos 80, dentro do OASIS, sua criação. O desenrolar da trama mostra que o OASIS é muito mais do que uma plataforma, servindo de várias outras formas seus usuários e que o fazem ainda mais interessante.

E isso fica ainda mais legal com as inúmeras referências que aparecem durante o filme. São diversos personagens, de várias épocas e em vários locais, que também dão ao filme o status de excelência em fan-service. Pessoas de todas as idades irão reconhecer seus personagens preferidos, durante todo o momento que o filme foca o mundo virtual.

Jogador N.1 é previsível, recheados de clichês, conta com muitos momentos óbvios em sua história, e o faz com excelência. A cara de Sessão da Tarde, com as devidas atualizações para se encaixar bem em nossa época, o faz instantaneamente, um filme que dá vontade de ver de novo, e de novo, tais quais as reprises dos anos 80, provando que Spielberg ainda é o cara no que diz respeito a entretenimento, e que ainda é possível fazer um filme de aventura, focando apenas a diversão.