Delegado Responde - Trabalho conjunto entre Polícia Civil de Santa Rita e Porto Ferreira



JORNAL O SANTARRITENSE - Dr. Domingos, nesta semana tivemos a informação de uma operação de inteligência, desenvolvida pela Polícia Civil nas cidades de Porto Ferreira e Santa Rita, a qual culminou com a prisão em flagrante de um indivíduo pela prática do crime de tráfico de drogas, o cumprimento de um Mandado de Prisão Preventiva e ainda uma grande apreensão de drogas. O senhor poderia falar sobre tais fatos?

DR. DOMINGOS ANTÔNIO DE MATTOS - Através de um trabalho de inteligência desenvolvido pela Polícia Civil, em uma propriedade rural deste município é que tais resultados foram alcançados. A de agração da incursão policial foi feita, após os trabalhos realizados, bem como pelas atividades de observação efetuadas no dia dos fatos. Neste contexto pode ser observada a movimentação no local dos fatos, mormente à ocultação de drogas e a participação de dois indivíduos, estando um devidamente identificado. De agrada a ação policial, o suspeito foi detido e o local vistoriado. Naquele local, além de balanças de precisão, sacos plásticos comumente usados para o embalo de drogas, cadernetas contendo anotações, também foram encontradas uma porção de maconha, com 24,0 gramas, uma grande pedra de “crack”, com peso bruto de 580,0 gramas, três grandes porções de cocaína, as quais pesaram 3.022 gramas, além de 1.800 “eppendorfs” (pinos) de cocaína, com peso bruto igual a 3.488 gramas.

J.O.S. - E quais os procedimentos que foram adotados pela Polícia Civil?

DR. DOMINGOS - O suspeito, os objetos e as drogas foram encaminhadas à Porto Ferreira, na Central de Flagrantes. Naquela Unidade Policial, o Delegado de Polícia lavrou o competente Auto de Prisão em Flagrante com relação ao crime de tráfico de drogas, bem como deu cumprimento a um Mandado de Prisão Preventiva expedido contra o autuado, vez que o mesmo era Procurado da Justiça, em razão de uma tentativa de homicídio, crime este praticado no município de Porto Ferreira. As drogas foram encaminhadas para o competente exame pericial, sendo efetuados os procedimentos para a incineração destas, haja vista a quantidade apreendida. O expediente relativo aos atos narrados foram encaminhados a esta Unidade Policial, onde houve a instauração de Inquérito Policial pra o término das investigações sobre os fatos.

J.O.S. - Dr. Domingos, pelo que soubemos, houve a prisão de um dos autores do latrocínio ocorrido nesta cidade. O que poderia falar a respeito?

DR. DOMINGOS - Na verdade, um grande equívoco foi cometido com a divulgação de que um dos autores do latrocínio havia sido preso. Precipitadamente e de forma irresponsável, houve inclusive a divulgação de nome e imagem deste “suspeito”.

J.O.S. - Mas então, quais foram os fatos verdadeiros?

DR. DOMINGOS - No dia 27/01/2018, na Central de Flagrantes de Porto Ferreira, Policiais Militares apresentaram um suspeito da prática de um roubo praticado em um posto de combustíveis desta cidade, o qual fora previamente reconhecido pelas imagens do circuito interno de segurança do estabeleci- mento. Nessa abordagem, a referida pessoa teria “confessado” a prática de dois crimes nesta cidade, sendo um deles o latrocínio. A Autoridade Policial plantonista providenciou, naquilo que nossa legislação prevê, os reconhecimentos pessoais e de objeto, quanto à vítima do roubo. Os reconhecimentos resultaram na identificação de um dos autores do fato, sendo então representado à Autoridade Judiciária plantonista, pela decretação da Prisão Temporária a qual foi concedida no dia seguinte e o suspeito preso e encaminhado ao Centro de Triagem de São Carlos. Quando o suspeito foi interrogado pela Autoridade Plantonista, este teria narrado detalhes sobre o citado latrocínio porém, havia incoerências em seu interrogatório. Em data de 31/01/2018 o suspeito foi trazido até esta Unidade Policial, onde as suspeitas das incoerências foram comprovadas.

J.O.S. - E quais as incoerências?

DR. DOMINGOS - Detalhes errôneos do local do fato, reconhecimento de várias pessoas que, quando dos fatos, estavam presas ou falecidas. (Detalhe: o suspeito apontou na foto de uma pessoa falecida, um suposto autor o qual mencionou em seu interrogatório em Porto Ferreira, do qual deu nomes e apelidos). Não obstante a isto, constatou-se total desconexão lógica com a realidade e eventual distúrbio psiquiátrico. Notadamente, informações foram coletadas do suspeito, confirmando que este efetua tratamento no CAIS desta cidade, sendo que as consultas médicas são semanais e inúmeros medicamentos controlados são medicados também semanalmente para o controle de seu distúrbio. Na análise dos fatos, a Autoridade Policial irá representar pelo incidente de insanidade mental em razão da constatação realizada. Tais diligências também foram acompanhadas e os fatos acompanhados pelo Promotor de Justiça desta cidade.

J.O.S. - Então, um dos autores do latrocínio não foi identificado?

DR. DOMINGOS - Não da forma divulgada nas redes sociais. Há um trabalho de investigação em andamento e atividades de inteligência policial desenvolvidas visando a identificação dos autores deste fato.