Delegado Responde: Esclarecimentos sobre o duplo homicídio em nossa cidade


JORNAL O SANTARRITENSE - Dr. Domingos, no final da tarde de sexta-feira, dia 25, na parte alta da cidade, vemos um duplo homicídio, além de outros dois feridos com projéteis de arma de fogo. Referida ocorrência refletiu muito em nosso município e na região em virtude de sua violência e audácia dos autores. O Dr. poderia comentar esse caso?

DR. DOMINGOS ANTONIO DE MATTOS – Realmente, no final da tarde da sexta-feira, dia 25 de agosto, fomos informados sobre pessoas feridas com projéteis de arma de fogo no interior de um salão de cabeleireiro, situado no Jardim Alvorada, o que motivou o deslocamento de inúmeras viaturas e policiais para aquela localidade de onde, embora uma das vítimas aparentava estar sem vida, todas foram transportadas para a Santa Casa pelo SAMU, tendo uma segunda entrado em óbito quando da chegada ao hospital. A terceira vítima foi submetida à cirurgia e a quarta, proprietário do salão, levou um tiro na coxa mas estava fora de perigo.

J.O.S. – O Dr. pode nos esclarecer como foi a dinâmica desse crime?

DR. DOMINGOS – Segundo o que foi apurado, preliminarmente, as quatro vítimas estavam no interior do Salão quando elementos ainda não identificados, todos encapuzados e armados, adentraram e começaram a efetuar disparos com pistolas. O alvo principal, sem dúvida, era a vítima cadeirante, sendo que dos dois elementos que lhe acompanhavam um também foi atingido e morreu ao dar entrada na Santa Casa e o outro foi operado e transferido para Unidade de Tratamento da cidade de Ribeirão Preto onde permanece internado. O proprietário do Salão, quando tentava fugir, também acabou sendo atingido e sua esposa, a qual fazia as unhas no local, se jogou ao solo simulando ter sido atingida e nada sofreu. Em conversa com o proprietário do Salão e sua esposa, ambos disseram que os elementos já adentraram atirando e que o reconhecimento é difícil em virtude dos mesmos estarem encapuzados e trajando roupas que escondiam todas as partes do corpo.

J.O.S. – Os meliantes se utilizaram que qual tipo de transporte?

DR. DOMINGOS – Segundo informações colhidas no local os autores ocupavam um veículo tipo Fiat/Uno, cor preta, de onde saíram os autores e permaneceu o motorista para dar fuga.

J.O.S. – Todas as vítimas são residentes em Santa Rita do Passa Quatro? Todas possuem passagens policiais? Procede a informação de que a vítima cadeirante era membro do P.C.C.?

DR. DOMINGOS – Entre as vítimas deste caso três (3) residiam em Santa Rita do Passa Quatro, a cadeirante (fatal) e outras duas que sofreram apenas ferimentos. A segunda vítima fatal, a qual acompanhava aquela cadeirante, era oriundo da cidade de Araras-SP e estava foragido do CPP de Porto Feliz, onde cumpria pena por roubo e não retornou após ser beneficiado com a “saidinha” do dia dos pais. A vítima cadeirante já foi presa por tráfico de substância entorpecente e existe informação de que a mesma pertencia a uma facção criminosa que age dentro e fora dos presídios paulistas.

J.O.S. – O que o Dr. encontrou quando chegou no local do crime?

DR. DOMINGOS – Quando cheguei no local dos fatos, um salão de cabeleireiro de cômodo único, constatei a existência de muito sangue, dezenas de estojos de projéteis calibre .40 e 9mm, perfurações de projéteis na parede, sofá e vidro, além da cadeira de rodas que uma das vítimas se utilizava. Com a chegada da equipe de criminalística foram recolhidos 21 estojos e inúmeros projéteis, os quais deverão ser periciados e permitirão eventual identificação da arma utilizada no crime.

J.O.S. – A Polícia trabalha em qual linha de investigação?

DR. DOMINGOS – A hipótese mais provável é a de que o crime foi um acerto de contas entre quadrilhas, vez que existe notícia, ainda não confirmada, de que a vítima cadeirante havia contratado elementos para matar rivais também envolvidos no tráfico, os quais possivelmente tomaram conhecimento e se anteciparam na ofensiva. Lembrando que a vítima cadeirante saiu da Cadeia no início do mês de agosto e que sua condição de tetraplégico resultou de um atentado anterior contra sua vida. Para apuração dos fatos foi instaurado inquérito policial e os investigadores estão analisando todas as hipóteses e informações que estão aportando em nossa Unidade.

J.O.S. – A Polícia acredita numa reação do P.C.C. em represália a morte de um de seus integrantes?

DR. DOMINGOS – Nenhuma hipótese está descartada, mas no momento o que posso dizer é que estamos trabalhando, inclusive com o apoio de outras Delegacias, no intuito de identificar e prender os autores do crime.