Pensando Bem... Cristo sim, igreja não. Como assim?



Cresce em todo mundo a ideia de um cristianismo descompromissado, despojado... do lar. Na Europa isso já acontece há bastante tempo. Nos Estados Unidos o movimento já é uma realidade e no Brasil vai ganhando corpo há uns cinco anos mais ou menos.

O que há de bom?
Há um lado positivo neste "movimento": um cristianismo "desinstitucionalizado", ou seja, sem os vícios e a politicagem das instituições. O "ser cristão em casa" parece interessante, pois a proposta é que se viva (seja), pratique acima de tudo, o Evangelho. Não há interesse em "exibir" a fé numa reunião dominical, mas em vivenciá-la no cotidiano. É o cristianismo sem hora marcada, sem a rotina da missa ou dos cultos e reuniões, sem a roupa de domingo, sem os trejeitos típicos do universo religioso.

Nem tudo que reluz é ouro.
Por outro lado é um cristianismo liquefeito, sem normatização, onde todo mundo fala, sente, crê, interpreta e ministra. Há líderes? Sem dúvida. Mas o despojamento da estrutura mínima citada nas Escrituras como pastores, padres, diáconos, evangelistas, mestres, torna o movimento vulnerável e o coloca numa condição de penúria teológica. A igreja, como instituição, existe pela graça do Senhor e tem como nalidade concatenar o grupo, organizar os dons e talentos, receber a visão de Deus e transmiti-la, levando os fiéis à maturidade e a consequente frutificação.

Qual o melhor caminho?
Penso que nem lá nem cá. A igreja institucional precisa rever a rigidez desnecessária, excesso de atividades e o autoritarismo de seus líderes. O movimento dos "sem igreja", por sua vez, precisa considerar esta "liberdade institucional" que nem sempre possui motivações santas.

Assim como a Igreja se sobrecarregou com doutrinas de homens, os movimentos "sem igreja" simplificaram demais as coisas e a falta de normatização pode levar tais movimentos ao fracasso total.

Do outro lado, os pretensos "donos" das grandes ou pequenas denominações cristãs precisam lembrar-se que a igreja não é uma marca, um logo, uma empresa. Jesus disse "eu edificarei a minha igreja" (S. Mateus 16:18). Da mesma forma, os "sem igreja" precisam se lembrar das mesmas palavras do Mestre e saber que Jesus ia à Sinagoga regularmente, Paulo a frequentou sistematicamente e a priorizou em seu projeto de evangelização. Ir à igreja é parte da agenda de Deus assim como "ser igreja" é obra do Espírito Santo na vida do convertido à Cristo.

Nem lá nem cá.
Pensando bem, nem lá, nem cá. O equilíbrio é, foi e sempre será a proposta do Senhor. Inspirado por Deus, Paulo nos deixou a estrutura eclesiástica ideal para que um grupo de pessoas possa considerar-se Igreja, conforme o Novo Testamento: "E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo" (Ef 4:11 à 13).

Pensando bem, os que se dizem cristãos e não vão à igreja, podem ter seus motivos: decepções, mal entendidos, mudanças frequentes de denominação, etc., mas devem se lembrar que não há igreja perfeita, nem ser humano perfeito, nem mesmo entre os cristãos! A imperfeição numa comunidade é necessária para que se exerça o perdão, se pratique a reconciliação, desenvolva a tolerância e assim, apoiando-se mutuamente, exercitem-se no amor “que cobre uma multidão de pecados” (Tg 5:20).

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