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Jequitibá foi destaque no Globo Rural



A edição de domingo do Globo Rural levou ao ar ampla reportagem do Parque Vassununga e destacou o nosso jequitibá, porém não se chega a idade correta de nossa majestosa árvore. Uma árvore nativa da Mata Atlântica, admirada por sua grandeza e imponência: o jequitibá-rosa. Em 1989, o Globo Rural exibiu um programa especial sobre essa árvore e o personagem principal era o Patriarca, um dos maiores jequitibás do Brasil. O repórter José Hamilton Ribeiro voltou ao Parque Vassu- nunga, em São Paulo, para conferir como está o patriarca, quase 30 anos depois.

O Patriarca fica em um ponto da mata da Vassununga, no KM 245 da via Anhanguera, município de Santa Rita do Passa Quatro, a 235 km de São Paulo. Ele está instalado numa clareira e o ponto de chegada é uma série de degraus, que são os terraços para proteger contra a erosão. Atualmente a árvore está sadia e florida. Imagens de um drone mostraram a cicatriz no galho onde um raio feriu o jequitibá, destroçando um dos seus galhos.

Em 1989, o Patriarca foi medido de cima, de lado e do chão. O professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho e seu companheiro e também pesquisador, o Jeferson, foram ao local para medir e tentar responder essas questões. “O Patriarca cresceu e está crescendo muito bem”, conta o professor.

Hoje, o Patriarca está com uma circunferência entre 11,7 metros e 11,9 metros, ou seja, aumentou entre dois e cinco milímetros por ano nesses 28 anos. Segundo o professor, a altura deu uma diferença ao longo dos anos. “Em 1989, ele tinha 40 metros de altura e medimos agora 42 metros. Dois metros em cerca de 30 anos”.

A área que abriga o Patriarca, no Parque de Vassununga é rodeada de cana. Assim, o parque, embora seu terreno seja fragmentado em terrenos descontínuos, signi ca abrigo e alimento para o que resta da outrora rica fauna da região. Já foram vistos no local, o tamanduá, jaguatirica, macaco-prego e muitas aves.

O gestor do Parque da Vassununga, Fábrício Pinheiro, vê sinais de perigo em relação à mata. “Os jequitibás sofrem com a incidência de raios, eles são atingidos por raios, alguns morrem de outras formas. Riscos de incêndios orestais por conta da rodovia, derrames de químicos, e ao nosso entorno principalmente a cana e a silvicultura com resíduos de agrotóxicos, eu acho que são os principais fatores”.

A idade dos jequitibás, do Espírito Santo à Bahia, passando por São Paulo, Minas, Rio de Janeiro, é motivo de discussão. Dois pesquisadores, usando a mesma técnica da contagem dos anéis de crescimento, chegaram a dois cálculos muito diferentes em relação à idade do jequitibá patriarca.

O professor Godoy, que mediu o Patriarca em 1989, faleceu em 2003, mas seu filho, Marcos, mantém a casa da família em Pirassununga, região central de São Paulo, com objetos do pai, inclusive o disco do tronco de um jequitibá vizinho do patriarca, no qual foram marcados os anéis de crescimento. Naquela época, o professor Godoy revelou a idade de 3.010 anos.

“Ele marcou, delimitou um setor dentro do disco e ressaltou o limite entre os vários anéis de crescimento com caneta nanquim, de modo que ele pôde a partir dessa marcação, ele pôde medir a dimensão de cada um deles e registrou essa dimensão”, conta o engenheiro Marcos Godoy.

Marcos Godoy diz que foi ele que fez a fórmula matemática usada por seu pai para chegar aos 3.010 anos do patriarca.

A Escola de Agronomia da USP, em Piracicaba, abriga um setor de idade das árvores, dirigido pelo professor Mário Tomazello. Ele diz que usando tecnologia à sua disposição na escola, chegou a um outro cálculo da idade do patriarca.

“Nas nossas avaliações temos árvores de espécies tropicais uma alta frequência dos chamados falsos anéis de crescimento e que podem eventualmente superestimar a idade das árvores”, explica Tomazello.

Para seu cálculo, professor Tomazello usou um jequitibá caído. Nesse caso, o rosa, do jardim da Prefeitura de Campinas, que tombou em 1999.

Indiferente à essa discussão, o patriarca segue sua vida. Tem visita o ano inteiro, principalmente na época da orada e no fim do ano. Atrai escolas que levam crianças e jovens em visitas programadas para conhecer um ser vivo que chama tanto a atenção.