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Carmem Escobar Pires – Santarritense que foi a priimeira mulher a presidir uma Entidade Médica no Brasil



Carmem Escobar Pires nasceu aos 9 de setembro de 1898, em Santa Rita do Passa Quatro (SP). Era lha de Manoel Bueno Barbosa Pires e de Teresa Escobar Pires. Formou-se professora normalista em 1914 e graduou-se, em 1920, na terceira turma da Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, hoje, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, ocasião em que defendeu a tese Semiótica dos Pleurises. Foi a terceira mulher do Estado de São Paulo a se formar em medicina, sendo precedida por Délia Ferraz e Odette N. de Azevedo Antunes, graduadas em 1918, na primeira turma da Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo.

Interessada por maiores conhecimentos, empreendeu viagem de estudos à Europa, aprimorando-se em Paris. Especializou-se em cirurgia obstétrica. Retornando ao Brasil, dedicou-se também à carreira universitária, como professora de Medicina, ao longo de sua vivência profissional. Teve grande atuação cientí ca. Não se encontravam textos de mulheres médicas na revista Gazeta Médica da Bahia até 1927, quando Carmen Escobar Pires publicou o artigo intitulado "Sobre um Caso de Síncope Anestésica - Injeção Intracardíaca de Adrenalina - Cura".

Em agosto de 1965, Carmen ocupou o cargo de assistente-adjunto do então criado Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Associação Evangélica Beneficente. Nessa entidade, prestou serviços médicos por mais de 30 anos! Era presbiteriana e participou intensamente da vida de sua igreja, tendo sido diaconisa da Primeira Igreja Presbiteriana Independente, em São Paulo. Carmen Escobar Pires não se casou, tampouco deixou descendentes. Faleceu em 10 de fevereiro de 1984, aos 85 anos. Seu corpo foi sepultado no Cemitério dos Protestantes, fundado em 1858 e localizado na Rua Sergipe, n. 177, no bairro de Higienópolis. Seu nome é honrado como patronesse da cadeira n. 112 da augusta Academia de Medicina de São Paulo.

Esses dados, associados ao fato de que em meados do século XX havia um número exíguo de mulheres médicas, além de um explícito preconceito ou uma dissimulada misoginia com relação à ascendência feminina e a valoração da masculina, facultam, pois, a inferir não somente o elevado grau de conhecimentos técnico-profissionais, mas também o grande respeito e a inegável capacidade de liderança que Carmen Escobar Pires tinha entre seus pares para galgar a presidência da honorável Academia de Medicina de São Paulo, numa época totalmente infensa a essa façanha!

Na edição de fevereiro de 2017 a revista da Associação Paulista de Medicina apresentou homenagem para a nossa saudosa santarritense, através de um suplemento cultural.