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Pensando Bem: O Inferno é aqui?



Esta costuma ser uma questão teológica, mas não estamos falando do “hades”, mas de outro lugar de tormento: o sistema prisional brasileiro. Admira-me que somente agora a imprensa acordou para o fato da precariedade das instituições prisionais, da superlotação, da lentidão da justiça e da falta de segurança.

Não quero levantar aqui a famigerada bandeira dos “direitos humanos”, nem pregar “cama e comida e roupa lavada” para os que causaram prejuízo à sociedade, mas tentar refletir com você, leitor, sobre um drama que milhares de famílias brasileiras vivem: o inferno prisional.

Um sistema carcerário digno não é exatamente cadeia limpa, roupa boa, bons advogados, celas confortáveis e lotação dentro do padrão. Acredito que dignidade significa reeducação. Quem falhou na vida e caiu no crime precisa sofrer a punição da lei, mas ser reeducado. Precisa de uma segunda chance, desde que cumpra rigorosamente os quesitos da lei. Um sistema penitencial ruim é fruto de uma sociedade ruim. Sociedades estruturadas estão fechando penitenciárias. Isso é um indicador de ordem e progresso, o que, infelizmente, o Brasil parece só possuir na estampa do Pavilhão Nacional.

No desempenho de minhas atribuições pastorais já visitei algumas cadeias públicas e presídios e lamento dizer que alguns deles parecem mesmo indicar que o “inferno é aqui”, mas não é. O inferno bíblico consegue ser ainda pior, pois será um lugar onde Deus não estará. Pude presenciar conversões verdadeiras, arrependi- mento sincero e demonstrações de cristianismo autêntico atrás das grades o que testemunha eloquentemente, que Deus pode estar ali também.

Atrevo-me a dizer que Deus sente compaixão pelos desgraçados, pelos pecadores, pelos que erraram o alvo, fracassaram e hoje estão atormentados pela sua consciência, que nada mais é que uma centelha divina crepitando no íntimo de cada um de nós.

Não. O inferno não é aqui. Ainda há esperança aqui. Aqui ainda há saída, uma nova chance, uma mão estendida. Se Deus age no mundo, por pior que ele esteja, o inferno não é aqui. Diz a Bíblia: “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 5:21).

Infelizmente ouvi pessoas dizendo sobre as rebeliões no amazonas: “ - É bandido matando bandido. Que se explodam. Já estão no inferno, que abracem o capeta”. Creio todavia, que o cristão deveria orar para que a morte destes detentos não passasse em vão. Que as autoridades busquem soluções, invistam em reeducação e que instituições religiosas, especialmente as cristãs, levem sua luz onde há trevas, amor onde há ódio, paz onde há guerra, alegria onde há tristeza.

Não, o inferno não é aqui, apesar de que muitos têm transformado sua vida (e a de outros) em algo parecido. O Deus de Paz me chama, te chama e nos chama, para

virmos à ele, por meio de Cristo, à um tempo de reflexão, de arrependimento e de fé. Também precisamos ser reeducados, pois a vida nos ensinou muita coisa que não presta.

“Quem ouve a minha Palavra, e crê naquele que me enviou, não entra em condenação, mas já passou da morte para a vida” (João 5:24).

sergiomarcosmevec@gmail.com