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ZPP Meio Ambiente: O ser humano e o meio ambiente



Muitas vezes esquecemos que nós somos parte da natureza. Por mais que tenhamos características que nos diferenciam dos outros seres vivos que compõe o meio ambiente, isso não nos dá o direito de usá-lo como bem entendemos. Quem precisa de 20 pares de sapato? Ou trocar de carro todos os anos?

Uma das de nições de sustentabilidade mais aceitas no mundo é a do Relatório Brundtland, de 1987: "(... ) desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das gerações vindouras satisfazerem as suas próprias necessidades". Por mais que eu use amplamente essa de nição no meu trabalho e reconheça sua importância como pontapé inicial da re exão maior sobre a sustentabilidade, confesso que tenho várias críticas a ela.

A começar pela posição de que o homem é o centro de tudo e que a satisfação das nossas necessidades é o objetivo mais importante desta discussão: a visão utilitária do meio ambiente para nos servir da forma que nos for conveniente. Muitas vezes esquecemos que nós somos parte da natureza. Por mais que tenhamos características que nos diferenciam dos outros seres vivos que compõe o meio ambiente, isso não nos dá o direito de usá-lo como bem entendemos.

Outro ponto que me chama bastante a atenção é a própria de nição de necessidade. Será que ela não inclui nossos desejos e ambições pessoais? Sendo bem realista: quem precisa de 20 pares de sapato? Ou trocar de carro todos os anos? Pior se for a diesel. Como e onde foi produzida a blusinha daquela loja, que mobilizou milhares de pessoas na sua chegada ao Brasil, e que custa R$ 9?

Os padrões de produção e consumo da nossa sociedade hoje colocam uma pressão enorme no meio am- biente. Se todos os seres humanos consumissem como os norte-americanos, precisaríamos de quatro planetas em termos de recursos naturais. O Brasil anda assustadoramente na mesma direção dos Estados Unidos, tanto nos padrões de produção e consumo, como nos impactos negativos decorrentes deles: alto índice de endividamento, consumismo visto como lazer, hábitos alimentares excessivos, que acarretam em epidemias como obesidade infantil, hipertensão, stress. Fora osimpactos socioambientais como devastação e desmatamento, poluição, exploração de mão de obra barata, enfim, a lista é imensa.

Nesse cenário, a reconexão das pessoas com o meio ambiente é fundamental. Afinal, somos parte dele, e tudo o que fazemos está interligado nesse grande e complexo sistema que se chama Planeta Terra. Inevitavelmente. E felizmente. O chamado efeito borboleta.

Vivemos um momento único na história da humanidade, em que temos a oportunidade de construir uma sociedade baseada em valores e princípios, respeitando toda a diversidade, peculiaridade e complexidade de todas as formas de vida. Um grande desa o, mas que tem tudo a ver com a nossa própria existência.



*Mariana Martinato é administradora de empresas e gerente de Sustentabilidade do Grupo Abril